O amor da sua vida passou enquanto você usava o celular

Ele até te deu um sorrisinho envergonhado. Mas você estava tão distraído com as stories dos seus amigos que nem percebeu.

Tá achando exagero, é?

Então me diga qual foi a última vez que você ficou mais de 10 horas sem olhar o celular?

Não vale aquela vez que o seu iphone estragou. Nem quando estava num voo Brasil/ Europa (phynna)!

Ficou sem resposta, né não?

Confesse que, quando você foi naquele restaurante top, teve fotinho no insta. Que, quando viajou para aquele lugar mara, tava mais preocupado em mostrar a viagem para os seus “followers” do que, de fato, curtir o momento. E, quando você viu aquele pôr-do-sol incrível, na verdade, viu pela tela do celular. Porque foi tudo foi devidamente registrado, óbvio.

Afinal de contas, como dizem por aí: se não tá no instagram, não aconteceu.

A realidade é que andamos tão entretidos e envolvidos com o que acontece no mundo virtual que deixamos de aproveitar a vida onde ela realmente acontece: aqui fora.

Daí vem reclamar que não encontra ninguém interessante, que só conhece embuste. Mas sai na rua e não larga a merda do telefone. Vai para o barzinho e prefere olhar a timeline do que a mesa do lado…

Se o boy não vier fantasiado de 4G e com conta nas principais redes sociais, pode desistir!

Sabe o que tá faltando na sua vida, meu amigo?

Tá faltando mindfulness!

Mindfulness, a arte do aqui e agora

Tá bom, eu admito. Fiz toda essa introdução dramática porque, na verdade, queria chegar nesse conceito de nome gringo que anda tão popular hoje em dia.

Você, provavelmente, já deve ter ouvido falar sobre Mindfulness.

Cada vez mais o assunto recebe atenção da psicologia, da área da educação, dos esportes e até de empresas interessadas em melhorar a produtividade dos seus funcionários.

Mas, afinal, que porra é essa?

Em poucas palavras, mindfulness é a capacidade de estar presente.

De estar consciente do que se passa à nossa volta. Das emoções. Do nosso corpo. De sentir a vibração do ambiente.

Como assim, Verônica?!

Eu explico.

Por exemplo: você lembra exatamente do percurso que fez até o trabalho ontem? Prestou atenção nas pessoas que cruzaram o seu caminho? Sentiu o vento bater na sua cara? Respirou fundo o ar da manhã? Viu o verde das árvores?

Que mané verde das árvores, não é mesmo? Aposto você ficou pensando na quantidade de coisas para fazer que estavam te esperando no escritório. Acertei?

Pois é!

O ritmo diário agitado de grande parte das pessoas e a capacidade de multitasking, acelerada pela tecnologia, quase não nos permitem parar.

A gente tá num lugar, mas já pensando em outro. Tá fazendo uma coisa, mas já com a cabeça no que fará depois. Ou no que fez antes…

Por isso, o lema do mindfulness é prestar atenção no aqui e agora. Sem se apegar ao passado, e sem projetar o futuro.

E por que isso é tão importante?

Ora, porque a nossa vida acontece no presente.

Quem age de acordo com os princípios mind­ful (consciência cheia) é capaz de encontrar melhores soluções para problemas e também tem as taxas de estresse reduzidas.

Mas não é só isso, são vários os benefícios. Por exemplo:

  • Menos ansiedade
  • Menos angústia
  • Mais estabilidade emocional
  • Mais criatividade
  • Mais foco

E tem mais! Algo muito importante, que pouca gente se dá conta e que torna tudo isso tão incrível: não existe sofrimento no presente!

Tá, eu sei. Nesse momento em que o seu traseiro ainda tá doendo do último pé na bunda que levou, que a sua cabeça tá fervilhando, preocupada com os mil boletos a pagar, parece até piada escutar isso. E de mal gosto.

Mas, pare e analise comigo: esse sofrimento todo tem origem no agora?

Não, né?

Ele é fruto de algo que já aconteceu. Ou que vai acontecer. Ou seja: ele está no passado ou no futuro.

Suponhamos a seguinte situação:

Você teve uma grande decepção com o cara com quem tava saindo, porque descobriu que ele saía com outros 3 além de você. Você chorou, brigou, terminou.

Chegou em casa arrasado, mal deu atenção para sua família, comeu e foi dormir.

No dia seguinte, acorda e a primeira coisa que faz é, claro, pensar no tal do cara.

Você nem colocou os pés no chão e já está enraivecido. Vai tomar café remoendo o que aconteceu, pensando em como vai ser difícil encontrar alguém especial no mundo gay, em como tem medo de acabar sozinho. Dois segundos depois, já se imagina solteiro e solitário na velhice.

Daí derruba a porra do café na camisa e já assume:

– Que dia de merda!

E não são nem 9h da manhã ainda.

Agora, me diga: em que momento dessa narrativa você estava realmente presente no que estava fazendo?

Cadê a atenção para a manteiga derretendo no pão quentinho? Para o raio de sol entrando pela janela da sala? Para o bom dia caloroso a quem vive com você?

Nem sinal de nada disso.

Seus pensamentos eram:

  1. Fui enganado pelo cara que tava a fim (passado)
  2. Vai ser difícil encontrar alguém especial no mundo gay (futuro)
  3. Tenho medo de acabar sozinho (futuro)
  4. Vou envelhecer solteiro e solitário (futuro)

Moral da história?

A dor está sempre quando você se prende no passado ou futuro.

Lembre-se:

Ansiedade = Excesso de futuro
Depressão = Excesso de passado

Como praticar o Mindfulness

Ficou convencido de que o mindfulness pode te ajudar?

Então, não se preocupe que você não precisa ser um mago da meditação para colocar o conceito em prática.

Na realidade, nem é preciso meditação. Basta atenção.

Então, tente levar a consciência do aqui e agora para todas as atividades do seu dia, até as mais banais. Inclusive, e principalmente, aquelas que você já faz de forma mecânica, automática e inconsciente.

A partir de agora, todas as vezes que você for fazer alguma coisa, foque e preste atenção no que você está fazendo e experenciando no momento da ação.

Se estiver almoçando, almoce. Se estiver lendo, leia. Se estiver com alguém, esteja lá. Presente.

Por exemplo:

Quando tomar banho, imagine que é a sua primeira vez sentindo a água. Repare na sua temperatura. Veja o vapor embaçando o vidro do boxe. Sinta o cheiro do sabão. Atente para o movimento das suas mãos ensaboando o corpo…

Você vai observar que, no banho, tendemos a remoer o passado ou antecipar os problemas. É aí que você deve retornar a sua mente para a experiência de tomar banho, de forma completamente consciente.

E isso pode ser aplicado a qualquer outra atividade: enquanto cozinha, enquanto caminha, dirige, escova os dentes e etc.

Preste atenção no seu corpo, na sua respiração, veja as cores ao seu redor, sinta o ar, o sabor, o toque.

Deixe que os pensamentos venham, e os deixe ir embora.

Note tudo ao seu redor. Note as pessoas, note os cheiros, note o ambiente e, principalmente, note você mesmo.

E, claro, note os boys!

Então, vamos parar de pensar nos caras que te magoaram? Vamos tirar o foco daqueles amores impossíveis?

Que tal parar de lamentar a falta de sucesso no amor? E parar, também, com essa putaria de sofrer por antecipação?

Vamos deixar essa rede social de lado por um instante?

O amor da sua vida pode estar passando enquanto você mexe no celular. Ou enquanto você perde tempo focando no passado ou futuro… Quem duvida?

E se ele estiver bem aí. Agora. No presente?